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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Morreu hoje Patrick Swayze

Não é interesse meu destacar aqui o falecimento de pessoas conhecidas na mídia — até porque esse blog não é um "obituário" — mas resolvi deixar o registro da morte do ator Patrick Swayze, aos 57 anos, vítima de um câncer no pâncreas. Mesmo depois de diagnosticada a doença, em 2008, ele continuou gravando a série "The Beast", produção da A&E; os 13 episódios da 1ª temporada foram ao ar no início deste ano. O interessante é que ele ainda tinha esperança de cura, apesar da gravidade e das poucas perspectivas de vida que lhe foram dadas.
Mas o principal motivo da minha 'lembrança' deste ator é a sua participação memorável em dois filmes — 'Dirty Dancing' (1987) e 'Ghost, do outro lado da vida' (1990) — que foram fundamentais para um determinado período da minha vida pessoal. Não, essa parte da história não é coisa que se deva trazer a público num blog (risos), mas entenda que os dois momentos em que vi estes filmes no cinema foram importantes demais para mim.
Patrick Swayze e Jennifer Grey na cena final de 'Dirty Dancing'Demi Moore e Patrick Swayze na cena final de 'Ghost'
Isso sem falar no enorme sucesso de ambos filmes, das belas atrizes — Jennifer Grey ('Dirty...') e Demi Moore ('Ghost') — e dos temas musicais — "(I've had) The time of my life" ('Dirty...') e "Unchained melody" ('Ghost'). Fica aqui o meu registro...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

TROPA DE ELITE - Osso duro de roer


O filme do diretor José Padilha, sobre a "rotina" do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) do Rio de Janeiro já levantou muita poeira e causou um bocado de polêmica. O que era para seguir um estilo de documentário, baseado (segundo Padilha, não é uma adaptação!) no livro "Elite da Tropa", de Luiz Eduardo Soares, acabou virando um sucesso e uma mania nacional! Mesmo com milhares de cópias "pirata" espalhadas antes da estréia, bateu recorde de bilheteria já no primeiro fim de semana de exibição! O que mostra que a "pirataria" ajuda na divulgação e não deve ser tratada de forma tão nociva — mas isso é assunto para outra oportunidade.

O enredo trata da guerra urbana carioca sob a ótica de um dos lados: o de um policial. E não reflete diretamente a realidade — esta é bem mais cruel — dos problemas de desaparelhamento e má remuneração da força policial, violência, abuso de poder, corrupção escancarada, tráfico de drogas, desigualdades sociais, métodos de tortura, etc.

Alguns críticos e antropólogos apontam uma visão "maniqueísta" da abordagem e, em alguns pontos, preconceituosa também. O filme incomoda porque mostra um pedaço das vísceras da nossa sociedade frente aos temores de profissionais que querem vencer de forma honesta, e os obstáculos que isso traz. A análise deve ser muito mais profunda, e esbarra no câncer da criminalidade impune alimentada pela inércia e/ou incapacidade de governantes e "homens da lei".

Não sou adepto da tortura, tampouco de métodos ortodoxos de cerceamento da bandidagem; por outro lado, quando o "outro lado" não respeita, renitentemente, nenhum direito do cidadão comum (entenda-se aí eu, você e os demais), certamente merece uma correção mais severa. E, se você pensar bem, "osso duro de roer" não é o BOPE, com suas atitudes radicais e sua violência quase sem limites; é ver a insegurança instalada no cotidiano, é saber que pessoas inocentes morrem por causa de vinganças injustificáveis ou de balas perdidas, é ver o filho do seu amigo ou vizinho morrendo "a prestação" por conta das drogas, é o esforço desmedido que pessoas simples fazem para serem "do bem"... pressionadas pelo "lixo da sociedade" que insiste em ser "do mal". Isso, sim, é duro de roer.

De qualquer forma, é bom deixar clara a minha visão: o cap. Nascimento não é herói, nem todo favelado é bandido, nem todo policial é corrupto, nem todo universitário é viciado, nem todas as ações do BOPE dão certo, nem toda tortura é solução! As personificações do filme são caricatas, estigmatizadas em demasia para chamar a atenção sobre os problemas... Se ninguém fizer assim, como vamos tomar conhecimento? Portanto, se você não viu, vá ver. É um ótimo filme! E responda a enquete aí ao lado...

(*) maniqueísmo - corrente de pensamento sincretista, instituída por Maniou Maniqueu (séc III), que defende a idéia de que o Universo é dividido em dois lados que combatem constantemente: o "bem", ou Deus, e o "mal", ou diabo.